Rodoviário atua em videoconferência inédita no tribunal regional do trabalho

O sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários de Santos e região foi o primeiro do Brasil a participar de audiência, na justiça do trabalho, conectada por ‘whatsapp’ com uma assembleia da categoria.

O fato aconteceu terça-feira (5), no tribunal regional do trabalho (TRT Campinas), em audiência de instrução e conciliação sobre greve de motoristas de ônibus em Itanhaém.

Assim que a desembargadora Tereza Aparecida Asta Gemignani, vice-presidente do tribunal, aprovou a proposta conciliatória, ela autorizou o sindicato a consultar virtualmente a assembleia.

Em tempo real, os trabalhadores, que estavam na garagem da empresa Litoral Sul, aprovaram a proposta feita no interior do estado. A empresa tinha representantes na audiência.

Tereza Gemignani elogiou “o procedimento inovador, que permitiu a pacificação do conflito de forma extremamente célere e eficaz”. Os presentes na sala de audiência acompanharam a votação.

A desembargadora registrou em ata cumprimentos aos sindicalistas, advogados e representantes da empresa “pelo empenho e boa vontade que possibilitaram os resultados positivos da audiência”.

 

Ficção

científica

Para o vice-presidente do sindicato, José Alberto Torres Simões ‘Betinho’, “foi com muito orgulho e honra que participamos desse evento inédito na justiça do trabalho”.

Presente na audiência, o sindicalista diz ter noção da “importância que isso teve no contexto trabalhista. O que pareceria ficção científica, há pouco tempo, hoje é realidade”.

Também presente na audiência, o secretário-geral do sindicato, Eronaldo José de Oliveira ‘Ferrugem’, destaca “a rapidez que a tecnologia proporciona ao mundo moderno”.

“Tradicionalmente íamos para uma audiência, voltávamos com uma proposta, consultávamos a assembleia no dia seguinte e só no outro dia retornávamos ao tribunal, com a resposta”, lembra.

 

O desfecho

da paralisação

Os ônibus voltaram a circular normalmente por volta das 18 horas de terça-feira (5), após um dia e meio de greve, iniciada na manhã de segunda-feira (4).

A empresa Litoral Sul acatou a proposta conciliatória do tribunal, feita na audiência iniciada às 14h30, e depositou o vale-refeição atrasado, após receber repasse de R$ 400 mil da prefeitura.

O benefício dos 120 empregados estava atrasado desde quarta-feira (30). No início da paralisação, a empresa afirmou que só poderia quitá-lo após o pagamento dos salários, previsto para esta sexta-feira (8).

A Litoral Sul opera 36 ônibus e, segundo Beto Simões, atrasa frequentemente o pagamento do vale-refeição: “Esperamos que essa prática abominável seja descartada a partir de agora”.

 

Abono dos

dias parados

Além do pagamento do vale-refeição, o acordo estabeleceu que, com o retorno imediato ao trabalho, não haverá nenhum desconto referente ao período de paralisação.

Categoria:GERAL

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